Ta aí gente um poema de autoria minha que mais é um desabafo do que uma obra artística. Dou-lhes a liberdade de discordar de minhas idéias, mas sugiro que as leia antes.
O Rei Da Paulista
Quantas vezes eu já atravessei
Essa avenida de descontentamento
Sobre a faixa de radiação FM, a cada passo
Uma angústia relembrada
De desgosto, ilusão, desamores e barulho...
Aqui há o pior de cada Mana
Vemos o gado
Indo e vindo pelos automóveis
Coletivos ou individuais
Voltam da tediosa labuta rotineira
Ou carregam o capim dos shoppings
Vemos os ternos
Atropelando enquanto olham para o relógio
E cantam blasfêmias ao celular
Enlouquecidos pelo poder e o tempo
Ricos egoístas cafeinados
Vemos as esmolas
Á senhora sorte, jogadas
Sobrevivendo nos travesseiros de concreto
Faces vistas todo o dia não são familiares
Quando estão felizes, parecem insanas
Vemos os gritos
Da multidão dos cartazes arruaceiros
Monstros desordeiros, impacientes e oba oba
Furiosa por negar a realidade e ambicionar 12%
atrapalhando o trânsito, mesmo
Vemos os escondidos
Enclausurados, fitam a lousa determinante
Como abades fanáticos, adoram um deus
O "conhecimento" não os esclarece
Só os tornam mais surdos, cegos e mudos
O Lugar é bonito
Mas as pessoas o estragaram
Os edifícios são altos
Apesar da gente ser baixa
As ruínas de Roma são tão lindas
Quanto serão as da Paulista
Sem humanos e polegares opositores
Vislumbrará a mas magnífica via
De toda metade sul deste mundo
Cisca o lixo um pombo pardo
Na pata lhe faltam alguns dedos
Esteve sempre calado, contudo
Nunca teve medos
Passeia pelas sarjetas,
Voa e pousa sobre as antenas
Só pode ser o verdadeiro Rei da Paulista
Suhshauhsaush!
Falei que era um desabafo.
Acontece que eu não podia perder a inspiração e largar esse texto aos gnomos!
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